O Corpo no Cinema de Horror da década de 1980

Atualmente, o culto ao corpo está enraizado na sociedade e a busca pela forma perfeita parece não ter limites. A preocupação com o corpo começou a ganhar força na década de 1980, como resultado do processo de massificação das mídias, onde o cinema de Hollywood, as revistas, a televisão e todo um universo imagético contribuíram para que a década experimentasse todo tipo de excesso na relação entre o Ser e seu próprio corpo.
 

Ao mesmo tempo que o corpo "perfeito" e "saudável" era exaltado, uma doença fatal surgia e a forma física ganhava ainda mais evidência, mas desta vez a atenção voltava-se para a transformação devastadora ocasionada pela Aids. O cinema, assim como toda produção histórica, dialoga com sua época e reflete o imaginário da sociedade a qual pertence. O cinema de Horror, um gênero intrinsecamente transgressor, não deixou de abordar esse momento histórico e, de acordo com muitos teóricos, um dos grandes temas dessa categoria de filmes nos anos 1980 foi o corpo. De maneira emblemática, dezenas de clássicos do Horror expuseram na tela grande a relação impetuosa do Ser com o corpo.
 

A evolução dos efeitos visuais contribuiu para que o corpo e suas transformações bizarras fossem apresentadas com realismo. Um dos pioneiros a evidenciar as mutações corporais nas telas é Um Lobisomem Americano em Londres (1981), numa das cenas mais chocantes e memoráveis da História do cinema.
 





Enquanto no clássico A Mosca da Cabeça Branca (1958) a mutação corporal não é mostrada ao espectador, em  A Mosca (1986), remake dirigido por David Cronenberg, as transformações violentas do corpo aparecem em pormenores, numa possível alegoria à Aids. De grandes produções à filmes de baixo orçamento, o corpo esteve em evidência nos filmes de Horror dos anos 1980, e o leitor certamente irá se recordar de dezenas de produções que abordaram o tema. Ao vermos um filme de Horror, tomamos contato também com o imaginário de uma determinada sociedade, seus medos e anseios sobre o futuro.

Bibliografia:
BELTING, Hans. Imagem, mídia e corpo: uma nova abordagem à iconologia. Revista de Comunicação, Cultura e Teoria da Mídia, n. 8, Centro Interdisciplinar de Semiótica e Cultura da Mídia (Cisc), São Paulo, Jul. 2006.
BAECQUE, A. Telas: o corpo no cinema. In: CORBIN, A.; COURTINE, J. J.; VIGARELLO, G. (Org.). História do corpo: as mutações do olhar: o século XX.Petrópolis: Vozes, 2008. v. 3. p. 481-508.
CAMARGO, Orson. Mídia e o culto à beleza do corpo; Brasil Escola. Disponível em http://brasilescola.uol.com.br/sociologia/a-influencia-midia-sobre-os-padroes-beleza.htm. Acesso em 09 de maio de 2016.
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