segunda-feira, 15 de abril de 2019

Zumbis e Vampiros: A Crítica Social do Cinema de Horror

Vampiros vagam pelas noites sombrias de um vilarejo em busca de pessoas para dominar suas mentes e fazer delas seus servos. Mortos Vivos saem de suas tumbas para saciarem sua fome e destruir a ordem vigente.

Uma das características mais interessantes da linguagem do cinema é o seu trabalho com metáforas e analogias. Os melhores cineastas sabem muito bem mobilizar estes recursos e o resultado são obras primas que, além de nos entreter, passam mensagens críticas e nos fazem refletir.

No que tange ao universo de zumbis, mortos vivos e vampiros, vários foram os filmes que fizeram o uso de metáfora para passar uma mensagem de crítica social.  Logo na estréia dos zumbis no cinema, com a obra prima White Zombie (1932), vemos uma das mais duras críticas à clivagem de classe. Os zumbis trabalham em um engenho de açúcar, e o proprietário, interpretado pela lenda Bela Lugosi, faz questão de dizer que são trabalhadores dóceis, não sindicalizados e que não reclamam de trabalhar excessivamente. Um filme como White Zombie jamais poderia ter sido produzido após o código Hays, que começou a ser aplicado a partir de 1934 e instaurou a censura no cinema americano, determinando o que seria “moralmente aceitável” nos filmes.
O Zumbi Branco / White Zombie (1932) 
O Zumbi Branco / White Zombie (1932) 
No cinema de Horror metafórico, os vampiros, frequentemente representados por sujeitos nobres, requintados e manipuladores, seriam as classes altas. Já os zumbis e mortos-vivos, pessoas degradadas e agressivas, seriam a representação das classes pobres. Em White Zombie, Bela Lugosi, o proprietário que explora os trabalhadores zumbis, não interpreta um vampiro, mas é emblemático o fato do ator ter eternizado o Drácula no cinema. A Noite dos Mortos Vivos (1968), obra máxima de George Romero, se tornou um paradigma do cinema moderno de Mortos Vivos e faz uma crítica ácida à clivagem de classes. Vampiros e Mortos Vivos nos divertem no cinema, mas também fazem críticas sociais fortes: Eis mais um faceta do cinema de Horror.
Bela Lugosi e Florence Wix em Drácula (1931)
A Noite dos Mortos Vivos / Night of the Living Dead(1968)
Epidemia de Zumbis / Plague Of The Zombies (1966)
Texto escrito por Alvaro Nunes, Bacharel em História - Memória e Imagem pela UFPR e Especialista em Cinema pela UNESPAR.

Referências:

ZIZEK, Slavoj. Lacrimae Rerum - Ensaios Sobre Cinema Moderno. Boitempo editorial. 2018.

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